quarta-feira, 5 de setembro de 2012

A RAINHA BRANCA


É sabido (piada interna para quem lê "As Crônicas de Gelo e Fogo") que eu sou uma sucker fã de romances históricos.
É ainda mais evidente que minha musa do gênero é a Philippa Gregory. 
Genia, sério. Quando eu crescer quero ser como ela... rs
Enfim, todos os livros dela para mim são nota DEZ.
A "Rainha Branca" é um dos últimos livros dela publicados em língua portuguesa. Um primor.
A história narra a vida de Isabel Woodville, uma viúva, plebéia, durante a guerra das duas rosas, que faz com o que o rei (sim, só o rei) se apaixone por ela.
O rei em questão é Eduardo IV, que ao conhecê-la por acaso acaba perdidamente enfeitiçado por sua beleza.
E vamos considerar que além de viúva ela tem dois filhos, e está no lado contrario ao dele na luta pelo poder.
Ela não só consegue se casar em segredo com ele, que contrariou todo o seu Conselho Real, como rapidamente ascende em poder e prestígio.
A história é incrível.
Para melhorar, entre capítulos, a autora nos presenteia com a história de Melusina, deusa das águas, supostamente ancestral da nossa querida personagem principal.
O período histórico em questão é muito interessante. 
A luta entre a casa York e a casa Lancaster pelo controle do reino inglês é fascinante, e acompanhar a vida de Isabel, de rainha querida em tempos de paz à prisioneira na Abadia de Westminster, é algo que faz você engolir o livro.
Evite se você quer ter qualquer tipo de vida própria.
Por outro lado, se você estiver numas de se jogar em uma história para não pensar em mais nada: este é seu livro. Ou melhor, esta é sua autora.

Vou postar uma parte da tal história da Melusina, que aparece entre um dos capítulos:
“Um homem pode amá-la se mantiver o seu segredo e a deixar sozinha quando deseja banhar-se e ela pode retribuir-lhe esse amor até ele quebrar a sua palavra, como os homens sempre fazem, e ela o arrastar para as profundezas, com a sua cauda de peixe e transformar o sangue infiel dele em água.
A tragédia de Melusina, seja qual for a língua que a relate, independentemente da língua que a cante, é que um homem prometerá sempre mais do que pode fazer a uma mulher que não é capaz de  compreender.”

Link para quem se interessar:

terça-feira, 4 de setembro de 2012

O MELHOR DE MIM


Vou começar admitindo que eu tinha (e talvez ainda tenha) um certo preconceito com relação ao Nicholas Sparks. Provavelmente sou a única pessoa do planeta terra que não viu o filme “The Notebook” (Diário de uma Paixão), muito embora tenha ele em casa.
Acho que esse meu preconceito se dá pelo fato do cara ter virado MUITO pop. 
Quer dizer, tem uns seis livros dele que viraram filme né...
Mas, eis que estou na livraria e bato o olho nesse livro.
Leio na capa: “O primeiro amor deixa marcas para a vida toda”. 
Humpf.
Penso: "Ta aí um livro que deve valer a pena ser lido."
E juro por deus que minha nota seria um belo dez, se não fosse pelo final.
Que eu odiei. Chorei, claro. Mas odiei.
Admito que eu posso ter odiado o final pela expectativa que criei ao longo da leitura.
Ainda assim, não gostei.
No livro vemos a história de Amanda e Dawson, que viveram um amor de adolescência, mas que, por circunstâncias da vida, acabaram se separando. Agora, em face de uma perda inesperada eles se reencontram, na cidade onde tudo havia acontecido.
Ambos, de forma diferente, haviam reconstruído suas vidas. Mas a sombra do que poderia ter sido jamais os abandonou.
E agora, diante desta nova oportunidade, terão eles a coragem para deixar para trás a vida que construíram e viverem esse amor que sobreviveu aos anos?
Ou entenderão que o sentimento que sobreviveu já não era amor, mas tão somente um passado idealizado?
Pôô, com uma história como essa o mínimo que você espera é um final incrível, onde o amor venceu, lógico.
Ou pelo menos isso é o que eu, tosca-eternamente-apaixonada, espero.
De certa forma você espera para ver a escolha que eles farão, para acreditar que pode ser assim. 
Mas o livro da uma reviravolta e você pensa: WTF?!
Minha nota final, será, então: OITO.
Oito pela frustração que você me fez passar, Sr. Sparks. RS

Segue o link para a compra do livro, que, by the way, ta a preço de banana.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

O SENTIDO DE UM FIM


E o blog ressurge das cinzas!!! YEY! rs
E devo dizer que em grande estilo.
Simplesmente me apaixonei pelo Julian Barnes.
Seu jeito de escrever, sua narrativa e principalmente o desenvolvimento de seus raciocínios.
INCRÍVEL.
“O sentido de um fim” é um livro de 160 páginas. Dá mesmo pra ler em uma ‘sentada’.
Tony, ou Antony, é o nosso narrador. No fim de sua vida ele faz uma digressão para nos contar o início de uma história.
A história em si, embora surpreendente em seu fim, é o de menos.
Interessante é ver o narrador analisando seu passado e, consciente de que não pode confiar em suas lembranças, tentando resgatar as sensações que determinados fatos suscitaram nele.
E o que isso causa em você, leitor.
Acompanhando as lembranças e os acontecimentos da vida do Tony você conclui o quão pouco pode confiar em suas próprias lembranças, por refletirem tão somente o que você achou que aconteceu, e o como você se sentiu a época.
Minha nota vai ser 9,5.
Nem tanto porque a historia é incrível, mas pela maestria do autor em te conduzir pelo auto conhecimento.
Vou reportar duas partes que eu assinalei enquanto lia. Vale a pena cada pagina, e você fica com gosto de quero mais!

"Mas o tempo... Como o tempo primeiro nos prende e depois nos confunde. Nós achávamos que estávamos sendo maduros quando só estávamos sendo prudentes.
Nós imaginamos que estávamos sendo responsáveis, mas estávamos sendo apenas covardes.
O que chamamos de realismo era apenas uma forma de evitar as coisas em vez de encará-las.
O tempo... Nos dá tempo suficiente para que nossas decisões mais fundamentadas pareçam hesitações, nossas certezas, meros caprichos." 

"Ele tinha uma cabeça melhor e um temperamento mais rigoroso que o meu; ele pensava logicamente, e depois agia de acordo com a conclusão do pensamento lógico. Enquanto a maioria de nós, eu desconfio, faz o contrário: nós tomamos uma decisão instintiva, depois construímos uma infraestrutura de raciocínio para justificá-la. E chamamos o resultado disso bom-senso."